Publicado por: Real Trás-os-Montes e Alto Douro | Junho 14, 2009

Quadro de São Nuno de Santa Maria pintado por António Pizarro

São Nuno de Santa Maria

São Nuno de Santa Maria

Evocando a figura de Nun’ Álvares na sua passagem pelo território de Barroso, a pintura de António Pizarro apresentada recentemente na homenagem prestada a São Nuno de Santa Maria na ‘Casa do Capitão’, Museu de Salto, foi celebrada pelos participantes no Colóquio dedicado a documentar tanto a sua importância como figura histórica, como a sua personalidade exemplar de combatente piedoso e fiel aos valores cristãos.

Desde há séculos lembrado no planalto de Salto como herói e monge, sendo a sua estátua junto ao adro da igreja velha das primeiras a serem levantadas no país, o seu nome é relacionado com extensas parcelas de terreno como o ‘Alto do Corno’, promontório de onde convocaria os seus guerreiros para reunirem ora no ‘Brigadouro’, espaço amplo onde treinaria a sua genial perícia militar, ora nas ‘Corredouras’, terras que serviriam para praticar a essencial arte equestre.

A admirável figura de Nuno, representada de forma expressiva na pintura de António Pizarro, é um semideus de feições juvenis, de olhar místico voltado ao céu pedindo o apoio do Alto para as duras batalhas que se avizinhavam, mão esquerda sobre a cruz aberta dos Pereiras, levantando a espada contra o peito, lembrando a imagem do Santo combatente louvado em várias aldeias e na vila de Salto em cuja procissão de 15 de Agosto sai em andor guarnecido de flores.

Na mesma cruz, mas gravada como sinal eterno no monólito de granito, assenta o Santo Condestável a sua mão direita, unindo os símbolos dos atributos que foram alicerces da sua vida. Se o granito e o metal invocam nas cores as entranhas da terra que pela necessária luta conquistou a independência, a cor magenta das urzes transmite fulgor aos montes, apelando à vida e ao renascimento primaveril da natureza, criação divina que recorre à intermediação de São Nuno de Santa Maria, chamado ao bom combate pelo corneteiro que faz ecoar longe o som grave saído da armação em lira, tão característica do gado barroso que tem em Salto o seu solar.

S.A.R. o Duque de Bragança e António Pizarro junto do quadro de São Nuno de Santa Maria

S.A.R. o Duque de Bragança e António Pizarro junto do quadro de São Nuno de Santa Maria

Iluminado por inspiração divina, São Nuno de Santa Maria é finalmente coroado pela auréola da santidade, com veneração neste planalto desde há 600 anos. Esses sinais de resplendor do excepcional temperamento forjado na salutar paisagem transmontana, esse ‘espírito do lugar’ que torna diferentes os que partilham o privilégio de viver nesta comunidade e neste território, e o brilho dessa auréola divina pela primeira vez representada em todo o seu significado, fazem deste quadro do pintor António Pizarro uma obra-prima, agora integrada no acervo e na exposição da Casa do Capitão, Centro Cultural de Salto.

João Azenha da Rocha
Conservador de museus
Casa do Capitão, museu de Salto


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