Publicado por: Real Trás-os-Montes e Alto Douro | Junho 29, 2009

Livro da Dra. Conceição Pacheco apresentado na Casa do Capitão, Museu de Salto

Aspecto geral da assistência no Auditório da Casa do Capitão

Aspecto geral da assistência no Auditório da Casa do Capitão

Com o sugestivo título “Salto – apelos do torrão natal”, a Dra. Maria da Conceição Martins Pacheco reuniu em livro vários dos seus escritos, inéditos ou publicados ao longo da sua vida. Nascida em 1920, esta ilustre Saltense ‘levava a lousa dentro da saca de riscado’ para a escola primária, que frequentava na aldeia. Prosseguiu os estudos em Braga e na Universidade de Coimbra, tendo sido a primeira mulher da região a terminar uma formação superior.

Dr. José Hermínio da Costa Machado, Dra. Isabel Pacheco, Presid. da Câm. Municipal de Montalegre, Dra. Gorete Afonso (Bibliot. Munic. de Montalegre) e Dr. João Azenha da Rocha

Dr. José Hermínio da Costa Machado, Dra. Isabel Pacheco, Presid. da Câm. Municipal de Montalegre, Dra. Gorete Afonso (Bibliot. Munic. de Montalegre) e Dr. João Azenha da Rocha

São muitos desses artigos que podemos agora desfrutar nesta obra de referência para o conhecimento da riqueza cultural e vivencial de Salto ao longo do século XX, numa perspectiva que enaltece os valores da tradição cultural mas que também denuncia os desequilíbrios sociais dessa época. Com introdução do saudoso Dr. Rogério Borralheiro, que nos oferece uma brilhante síntese histórica de Salto, e esclarecida apresentação da Dra. Maria Isabel, filha da autora, esta obra mostra um elegante grafismo, sendo prodigamente ilustrada com imagens significativas e raras que ilustram com perfeição os temas tratados.

Da esq. para a direita: Pres. da Câmara de Montalegre, Dra. Gorete Afonseo e Dr. João Azenha da Rocha

Da esq. para a direita: Pres. da Câmara de Montalegre, Dra. Gorete Afonseo e Dr. João Azenha da Rocha

Com os expressivos textos ‘Mulheres do Baixo Barroso’ e ‘Algibeiras e agulheiros’ a autora anuncia o rumo que segue a sua escrita: a consistente contribuição para os estudos etnográficos em simultâneo com a intransigente defesa da condição feminina. Em ‘Um bosque entre dois rios’, ‘Serões de Inverno’ e ‘Salto sob a bandeira azul e branca’ caracteriza alguns dos acontecimentos que marcaram a sociedade e o território do Baixo Barroso. Os principais rituais que acompanham o calendário agrícola são desenvolvidos nos textos ‘S. Sebastião’, ‘Segadas’, ‘Malhadas’ e ‘Nossa Senhora de Salto – festa, tradição e arte’. Por último, contos como ‘Vocação de pastor’ ou ‘O compadre cesteiro’ encantam-nos pela originalidade descritiva, enriquecida pela utilização de expressivos termos locais, bem como referências a locais e ambientes que nos transmitem um particular ‘espírito do lugar’, constituindo o conjunto da obra uma preciosa fonte informativa.

Aspecto geral do Auditório da Casa do Capitão. À direita, quadro de São Nuno de Santa Maria do pintor António Pizarro

Aspecto geral do Auditório da Casa do Capitão. À direita, quadro de São Nuno de Santa Maria do pintor António Pizarro

Tomemos como exemplo um breve excerto do texto “Aspectos comunalistas do Baixo Barroso” (p.102): “Em Salto, durante a Primavera, as cabras e as ovelhas eram levadas a pastar nos campos de Maça, na serra da Cabreira, e um só vizinho tomava conta das rezes. Cada casa pastoreava mais ou menos dias, conforme o número de cabeças possuídas. De manhã cedo, o indigitado tocava o seu búzio e esse som rouco e primitivo acordava os pastoritos que se encarregavam de levar as suas ovelhas ao logradoiro público (Torrão da Veiga) donde depois, em conjunto, seguiam para a serra, regressando ao pôr-do-sol. Enquanto esperavam o regresso, ao entardecer, as crianças e adolescentes reuniam-se nesse belo carvalhal para uns momentos de festa, jogando, cantando, fazendo rodas…”

Editado pela autora em Braga em Maio de 2008, foi no passado sábado, dia 27 de Junho, feito o seu lançamento na casa onde nasceu, a Casa do Capitão. O Museu de Salto afirma-se de novo como espaço aberto a todos, pretendendo deste modo homenagear aqueles que melhor promovem e dignificam a cultura de Barroso.

João Azenha da Rocha
Casa do Capitão, Museu de Salto


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