Publicado por: Real Trás-os-Montes e Alto Douro | Julho 24, 2009

O Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira: Um Português de excepção

“O argumento que baila no espírito e na ponta da língua da maioria dos políticos para nada fazer relativamente à figura de Nuno Álvares é a de que a cerimónia de canonização é apenas do âmbito de uma confissão religiosa e sendo o estado português assumidamente laico e havendo separação de poderes entre o que é de Deus e o que pertence a César, não cabe a César imiscuir-se quando apenas Deus está em questão.
Existindo este argumento, ele não é, o mais importante, mas é, todavia aquele que melhor e com menos custos pode ser assumido publicamente.
São três as questões principais – no nosso entendimento obviamente – que estão na origem da atitude dos órgãos de soberania e de outras instituições deles dependentes e todas se fundam em razões políticas, doutrinárias e ideológicas.
A primeira questão prende-se com o fundo político-doutrinário dos partidos com assento da Assembleia da República.
A figura de D. Nuno arde-lhes nas mãos. Por um lado não consta que a figura do Condestável fosse adepto de questões fracturantes, não era pacifista militante nem adepto de relativismos morais. Depois era um líder – que são os que fazem a história – ao contrário do que defende uma determinada historiografia e conceito político que tenta reduzir os acontecimentos da História, a movimentos de massas e lutas de classes; outros não sabem sequer ao que andam, são falhos de doutrina, parecem mantas de retalhos, praticam demagogia barata, pescam em águas turvas. O então Condestável do Reino representa a antítese de tudo isto .
Quanto ao partido no Governo tem dos seus fundamentos nas tradições jacobinas e anti religiosas da I República a que juntou, mais tarde, uns laivos de marxismo que se põem ou tiram da gaveta conforme a égide do momento. Têm, por outro lado, um azar especial a fardas, ordem e autoridade. Como poderão apreciar a figura do Santo Condestável, excelsa glória das nossas armas?
Além disso, exaltar tão virtuosa criatura – cuja filha sobreviva, note-se, deu origem à Casa de Bragança – em pleno arranque das comemorações dos 100 anos da República, não lhes parecerá, certamente, dar jeito nenhum!
A segunda questão tem a ver com o facto de que, desde meados dos anos 70 do século passado, se ter menorizado e apoucado toda a nossa epopeia ultramarina – a frase “meter uma lança em África” é ,até, atribuída a D. Nuno – caluniando e desvalorizando alguns dos nossos grandes estadistas, militares, marinheiros, missionários, etc.”, promovendo, outrossim, e dando lugares de importância e palco a desertores, oficiais do quadro permanente que esqueceram os seus deveres militares, oportunistas e outra gente de mau porte; cidadãos que andaram a pôr bombas, assaltar bancos e a sabotar o esforço de guerra da Nação, passaram a pessoas respeitáveis passando alguns a ter direito a pensões do Estado ou a serem condecorados com a Ordem da Liberdade; rapaziada que em sociedades regidas por gente séria e com princípios seriam apodados de traidores, passaram a venerandos e obrigados e mais um cortejo de coisas que me dispenso de enumerar.
Ora ir comemorar o grande Nuno Álvares exemplo de patriotismo, seriedade e valentia sem mácula, iria provocar um contraste demasiado gritante. Percebe-se, mas, claro está, que não se pode aceitar!
Finalmente a outra questão que leva a que não se pretende a nível de Estado dar honras nacionais a tão extraordinário antepassado tem a ver com a União Europeia e o projecto federalista que está em marcha. Para se conseguir o objectivo da federação europeia restando saber qual o passo seguinte – é preciso acabar com as Pátrias e qualquer resquício de nacionalismo, melhor dizendo de Patriotismo, isto é, torna-se necessário acabar com o Estado-Nação, de que Portugal representa o figurino mais perfeito. É que interessa é esbater os conflitos e as tensões de antanho para tudo amalgamar. O que vale, hoje em dia, não é a História de cada país – o que representa o passado – mas sim a História da Europa que se deseja venha a haver.”

Excerto da Conferência do Tcor pilav João J. Brandão Ferreira sobre o Santo Condestável.
Obs: Os destaques a negrito são nossos.

Descarregue o ficheiro para ler o texto integral da conferência: “O Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira: Um Português de excepção”


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