Publicado por: Real Trás-os-Montes e Alto Douro | Janeiro 5, 2010

Público – “A mudança do regime em 1910 aconteceu, na verdade, em 1834”, defende Rui Ramos

A maior parte da historiografia identifica o Ultimato britânico, em 1890, como o princípio do fim do constitucionalismo monárquico. O país sentiu a humilhação na pele e insurgiu-se contra a submissão da Coroa portuguesa aos interesses britânicos em África, manifestando-se nas ruas, alterando a toponímia, boicotando os produtos importados do Reino Unido.

Um ano depois, a 31 de Janeiro, no Porto, os republicanos vêem gorada a sua tentativa de mudar o regime. Mas a revolta indica que o movimento republicano está preparado para encetar um caminho sem regresso.

Segundo Fernando Rosas, são os efeitos da instabilidade política provocada pelo Ultimato que colocam “explicitamente” em causa a legitimidade do regime: “Abalam, pode dizer-se que definitivamente, a plácida rotina do rotativismo oligárquico e criam no Partido Republicano Português, após o ensaio insurreccional de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, uma corrente crescentemente seduzida pela imprescindibilidade da tomada do poder pela via revolucionária.”

Para Rui Ramos a origem da crise política e institucional remonta, porém, a um momento anterior: a Revolução Liberal de 1834. “Foi nessa altura que se deu o maior corte na vida institucional portuguesa e deu-se início à republicanização do país. A mudança do regime em 1910 aconteceu, na verdade, em 1834”, afirma.

É nesse momento que os cargos do Estado deixam de ser monopólio das grandes famílias da nobreza e dá-se por terminada a governação monárquica vigente desde a Restauração. “Os liberais viraram o país do avesso”, sublinha Rui Ramos, “arruinaram a nobreza e criaram as condições para a republicanização total do Estado.” Basta atentar no programa do Partido Republicano, que, diz Ramos, “é igual ao dos partidos liberais”. Quando se deu a revolução de 5 de Outubro de 1910, em que é “eliminada” a figura do rei, o regime republicano há muito que criara raízes. M.J.O.

Publico, 5/01/2010


Responses

  1. Esta gente tudo fará para demonstrar a “inevitabilidade” do regime de 1910, mesmo significando aquilo que sabemos para o país.

  2. Concordo com Rui Ramos. Basta ver os governos de D. Maria II. A República de 1910 vinha sendo preparada desde 1820 e mais eficazmente em 1834 no início do reinado de D. Maria II rainha de uma monarquia constitucional. No Parlamento estão alguns fidalgos da velha-guarda como Palmela e Terceira, mas também homens dedicados como Agostinho José Freire cobardemente assassinado maisa tarde.

  3. Perdão, queria dizer «mais tarde».


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